12 janeiro 2011

As faces se viraram ao mesmo tempo, entre outras tantas faces... os olhos se viraram no mesmo momento, se encontrando no meio de tantos outros olhares. Seus corpos se moveram em movimento ritimado, em frente a si próprios...
Nada foi percebido entre as outras pessoas no local. Os rostos sem expressão, sem tempo para se ver, sem tempo para viver, sem tempo para sentir...
E os olhos dos dois continuavam a se fitar, como se estivessem hipinotizados pelo calor, pelo perfume, por coisas não captadas pelos rostos sem expressão. A aproximação repentina, captou olhares de mais quatro pessoas, que por alguma razão, ou força do destino, se cruzaram entre si, e o movimento efetivado pelo casal anterior foi repetido, captando atenção de mais pessoas. E assim, como em uma coreografia formada pelo acaso, não se era mais percebido a falta do sentir, pois todos estavam sentindo algo que não era possivel ser explicado...
E a coreografia continuou, até estarem cansados o bastante para não perceber a existência de si próprios no local...
E dois olhares se separaram, como se não se conhecessem, como se não ligassem pelo outro existir... e mais quatro olhares se separaram, como se fossem indiferentes pelo movimento no local... e assim, em sequência, olhares se separaram como se não tivesse acontecido o que aconteceu, e continuaram suas vidas monótonas como se não lembrassem de um dia ter vivido de verdade...

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