05 junho 2011

As fotos pregadas na parede, as prateleiras cheias de livros e caixas, a cama desarrumada, cheia de roupa amassada, bolsa, cobertor e travesseiros. O tapete fora arrastado até um canto qualquer do quarto, perto dos pés de alguém. Sentada, com as costas de encontro a porta que dava passagem para qualquer um que quisesse entrar no aposento, lia calmamente um livro, dos tantos que ficavam guardados.
Não sabia há quanto tempo estava passando os olhos pelas páginas, mas aquela história lhe parecia bem interessante, pois pela janela conseguiu perceber que já estava escurecendo. Por quantas horas ficou fora dessa realidade? Quatro, cinco horas? Já não ligava, ficara tanto tempo naquele silêncio dela mesma, que qualquer ruído lhe causava dor de cabeça. Estava precisando daquilo a um bom tempo, finalmente conseguiu descansar as ideias um pouco.
Um som muito conhecido a tirou de sua leitura: a campainha. Estava prestes a matar o infeliz que a fez levantar do chão quentinho do seu quarto para pisar no piso gelado da garagem. Abriu a porta e colocou apenas a cabeça para fora para visualizar melhor a pessoa que tocou aquele aparelho infernal. Ninguém... só podia ser brincadeira, será que aqueles vizinhos estavam de graça com a sua cara... de novo? Com uma raiva enorme bateu a porta. Estava quase chegando no seu santuário da leitura, quando aquele som entrou novamente na casa. Voltou batendo os pés até o portão dessa vez, e já quase falando palavras um tanto quanto inconvenientes para a situação, parou estática, muda... não acreditava no que via, o que ele estava fazendo ali?

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