O trem parou em uma parada qualquer. Com os braços apoiados na janela, e a cabeça apoiada em ambos, ela observava o movimento da paisagem, estática. As portas se abriram, fazendo-a lembrar que era exatamente o local que precisava descer. Um bocejo rápido, seguido de uma espreguiçada e um esfregão nos olhos. Havia saído do trem.
Atravessava aquela praça todas as manhãs para chegar ao seu destino. As árvores ali paradas da mesma forma que o dia anterior, a senhora com um pacote de pão sentada no banco com pombos ao seu redor, como em qualquer outro dia. Um assobio foi ouvido, a fazendo virar com uma expressão um tanto quanto desagradável na face. O olhar de desdém foi rapidamente substituído por um rosto um tanto abobalhado.
Ali estava, com um sorriso no rosto um jovem com seu violão na mão, sentado em um dos bancos, que ao perceber a expressão da garota, apenas alargou ainda mais o sorriso. Decidido a tomar alguma atitude, colocou seu violão em posição e tocou um acorde. E outro, e outro, até o conjunto se transformar em uma melodia. A jovem por sua vez, continuava ali parada com a mesma cara, até acordar de seus devaneios e lembrar que iria se atrasar... sem ao menos dar sinal nenhum, deu meia volta com o corpo e seguiu em frente. O rapaz apenas parou sua música, olhou a silhueta que andava em frente e seguiu seu caminho.
Um dia depois. Com o mesmo ritual de sempre, a garota desceu do trem e passou pela praça, procurou rapidamente com os olhos uma figura conhecida, mas se desapontou ao perceber que ele não estava ali. Continuou seu caminho, até ouvir um conjunto de acordes e captar mais uma vez aquele sorriso. Alguma coisa lhe dizia que ainda o veria por muito tempo.
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