14 outubro 2011

Acabara de acordar, e já estava de pé. Seguiu para o banheiro e passou uma água no rosto. Desceu as escadas, e parou na cozinha, olhando todos que estavam sentados tomando café. A atenção voltou a si, e todos estavam um tanto quanto abobalhados. Sua esposa lhe perguntou se sentia bem, seu filho mais novo se estava sentindo alguma coisa. Até seus netos se assustaram, afinal, depois de semanas deitado naquela cama, finalmente estava de pé.
Afirmou a todos que se sentia novo, e nenhum sintoma havia aparecido. Estava tão bem que disse querer caminhar um pouco. Olhares receosos se voltaram para o mesmo, repreendendo-o. Não se importava, era maior de idade - aliás, tinha mais idade do que gostaria - e podia muito bem tomar suas próprias decisões. Resolveu tomar um café reforçado, colocar uma roupa limpa e sair pela porta da frente.
Deu um beijo em sua esposa preocupada, abraçou seus dois pequenos netos, como se fosse o último abraço que daria, e um aperto de mão mostrando firmeza em seu filho. Saiu em sua jornada. Comprou o jornal do dia, e uma garrafa de água, e com suas sandálias, sua bermuda, camisa e boné, saiu a caminho do parque.
Chegando lá, a tosse atacou. Atacou muito. Com seu lenço manchado de vermelho, e suas mãos um pouco trêmulas, ele tentou ao máximo ignorar as pontadas que recebia em seu peito. Caminhou. Sentou-se em um banco qualquer e pegou seu pedaço de papel escrito com algumas notícias e colocou-se a ler. As palavras se embaralhavam, e alguma coisa muito estranha acontecia com ele. Sentia dores, dores fortes, mas não apavorou-se, pelo contrário, se sentia estranhamente confortável. Uma paz reinou, mas a tosse não cessava. Lembrou de seus filhos, lembrou de seus netos, lembrou da mulher amada, e fechou os olhos. Descansou.

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