08 outubro 2011

Uma rua, de um bairro qualquer, de uma cidade qualquer. Ele caminhava calmamente, como fazia todos os dias, desde que se mudara. Com as mãos nos bolsos da calça, os ombros contraídos e uma expressão mostrando concentração, não via nem percebia nada que acontecia por ali. Os muros desbotados, as casas em construção, se mesclando com algumas casas já construídas a um bom tempo, o cenário para sua caminhada.
Uma rua, de um bairro qualquer, de uma cidade qualquer. Os sapatos nas mãos, a roupa amassada, a cara assustada, maquiagem borrada e uma dor de cabeça inacabável, era o que se passava. A garota não sabia muito bem onde estava, na verdade nem se lembrava como havia parado ali, nunca havia feito isso, se bem que nunca tinha saído dessa forma. Em pensar que já era seu segundo dia com dezoito anos, e já tinha feito besteira.
Uma esquina, de uma rua qualquer, de um bairro qualquer, de uma cidade qualquer. O rapaz atravessou a rua, sem nem se dar conta de quem passava por ali. A garota, desesperada, nem se dera conta de quem passava por ali. Se cruzaram, e nem se notaram... Ele estava indo para algum lugar, mas se lembrou que tinha esquecido alguma coisa em casa. Ela não sabia pra onde ia, e deu meia volta. Se cruzaram, e novamente, nem se notaram.
Muitas vezes ninguém percebe o que se passa a sua volta, muitas vezes ninguém segue o que lhe é mostrado. Darei uma terceira e ultima chance para os protagonistas dessa história, e me pergunto, se alguém daria mais uma chance para algo que se passa despercebido por aí, se notarem, é claro.
Novamente, uma esquina, de uma rua qualquer, de um bairro qualquer, de uma cidade qualquer. A garota decidiu ficar em um ponto fixo, precisava dar um jeito de se comunicar com alguém. Mais uma vez deu meia volta. O rapaz, agora com o que precisava ter pego em casa, voltava para o caminho que fazia. Se cruzaram, pela terceira vez, mas algo diferente aconteceu. Seus olhos captaram um corpo estranho no local, se dando conta de que não estavam sozinhos, como achavam até o momento. Notaram a presença um do outro.

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