16 agosto 2012

Eu estava sentada bem ali naquele banco com a nossa galera, sabe? Eles estavam rindo, e nós nos divertíamos cada vez mais. Que horas eram? Não me pergunte, não sei, mas acho que já se passava das oito e meia da noite. Foi aí que você apareceu, de novo. Quanto tempo eu não te via? Um mês talvez, só sei que você se juntou a nós, entrou na conversa, e, como se fosse a primeira vez, me olhou. Se quer saber, eu também te olhei, de novo. Talvez eu nunca tivesse parado de te olhar, mas naquele momento, os dois se olharam.
Não sei bem de quem foi a ideia de sair correndo de lá, mas ver seu sorriso de novo valeu todo o cansaço. Onde você foi? Se escondeu atrás de uma árvore qualquer ali da praça, mas nisso já se passava das dez da noite. Eu ria ao te procurar, e você me abraçava por trás. Senti seus beijos pela última vez, e em seguida você acendeu seu cigarro. Seus olhos me olharam mais uma vez, de um jeito diferente, com malícia. A cada trago sua feição envelhecia. Seus cabelos se tornaram levemente grisalhos, você engordou, seu rosto fechou. Me deparava com um homem de meia idade rabugento, inconveniente, chato. Você se tornara insuportável, e o cheiro do cigarro impregnava minhas narinas, e eu espirrava cada vez mais. Você se aproximou de mim, e eu me distanciei, com medo. Não sei o que perdi, mas senti você avançar ao mesmo tempo que lhe despejava um tapa. Sua feição mudou, você estava irritado. Segurou com força meu braço, enquanto eu chamava teu nome, mas você não respondia. Fugi. Fugi de você dessa vez.
Como o tempo corre, perdi todos os ônibus, não tinha dinheiro, corria pela cidade sozinha. Não te vi mais, chorava, o telefone não funcionava, não havia pessoas na rua. Em um banco virado para o rio, vi duas silhuetas. Era um casal. Era você... e mais alguém. E vocês sorriam, e se divertiam, e se olhavam. Talvez eu tenha ficado segundos assistindo tal cena, mas pareceram horas. Foi então que você virou, e olhou para mim. E você envelheceu novamente, e um sorriso seco tomou seus lábios, antes de fecharem em volta do cigarro mais uma vez. E ela envelheceu. E bebia loucamente uma garrafa de uísque enquanto gargalhava pelo meu choque. E vocês se olharam e mais uma vez ficaram jovens. E me olhavam, e eram velhos. Acho que minha cabeça rodou, mas enquanto ouvia as risadas, minha visão ficou embaçada, e perdi o chão.
Eu estava sentada bem ali naquele banco com a nossa galera sabe?  Eles estavam rindo, e nós nos divertíamos cada vez mais. Que horas eram? Não me pergunte, não sei, mas acho que já se passava das oito e meia da noite. Foi aí que você apareceu, de novo. Você chegou, me olhou, e eu te olhei. Você virou, e foi embora.

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