01 novembro 2012

"Feche os olhos. Prenda a respiração. Um, dois, três... 59... volte para cima". Abriu os olhos, recuperou o fôlego, deitou com o braço mergulhado na água. Olhou para o céu. Que horas seriam? Meia noite talvez, e por que estava ali? Precisava dar um mergulho. Precisava afogar algumas ideias que teimavam em boiar no seu cérebro, mas já era tarde. Olhou para o relógio. 02h37. Entraria? Quem sabe daqui a pouco. Rolou para o lado e foi direto para a água. "O que fazer? Perna direita pra lá, e depois a perna esquerda... e se eu quiser bater as duas juntas? Mas o que é isso?", olhou para as pernas com apenas a iluminação da piscina e com a visão embaçada pela água, mas pensou ter visto uma calda. Voltou para a superfície e respirou um pouco. Talvez fosse bom mergulhar mais uma vez. "Um, dois, três... 163...", e voltou para a superfície novamente sem perder o fôlego. Assustou-se. Saiu da piscina, se enrolou na toalha, abriu a porta, passou pela cozinha com uma sede sem tamanho, bebeu cinco copos de água e subiu. Tomou um banho rápido e se deitou. Tentou dormir, mas não conseguiu, se mexeu, se mexeu e levantou-se. Correu escada a baixo, abriu a porta e pulou na piscina. Na manhã seguinte sua mãe foi chamá-la de manhã, não viu ninguém na cama. Abriu a janela do quarto. Ela dormia com o corpo na água, debruçada na beira. Seria possível? Era a terceira vez na semana.

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