02 dezembro 2012

Deitada na grama há quase duas horas, e nem se dera conta do tempo passando. As gotas de orvalho já se formavam, e naquela noite de verão nada lhe tiraria o sossego. Tudo passava-lhe na mente, o tempo todo, o que era natural vindo dela. O celular já não tinha bateria, então o que se esperava era que ninguém conseguisse fazer nenhum contato com a mesma. Que horas seriam? Já nem se sabia, e quando percebeu esse fato lhe passou rapidamente na mente que sua mãe estaria furiosa e desesperada. Sentiu um pingo de culpa que logo passou, pois estava realmente muito tranquila naquele lugar. A lua parecia mais bonita que em qualquer outro dia normal, pois a chamava. No sentido literal da palavra, ela realmente ouvia a lua lhe chamando. Pensou que deveria estar louca, mas que loucura maravilhosa receber um convite feito pela lua.
Virou-se para um lado observando os bancos da praça. Havia naquele exato momento um gato correndo, e um cachorro vindo logo atrás, um homem dormindo em um dos bancos e em um outro mais para o fundo um casal namorando. Virou-se novamente para o céu e observou um pouco mais as estrelas. Cada uma delas parecia piscar em sua direção. Olhava atentamente, mas o sono que lhe tomava pouco a pouco fazia com que seus olhos fechassem lentamente. Abriu os olhos, como se apenas os tivesse fechado por menos de dois minutos, lembrando que precisava estar em casa antes que sua mãe chamasse a polícia. Aliás, como odiava a polícia, e não estava com nenhuma vontade de ter que conversar com os policiais. Levantou-se rapidamente, limpou a sujeira em sua roupa e saiu pela parte iluminada da praça. Mas o homem não estava mais lá deitado, estirado em um dos bancos, nem o casal namorando no outro. Começou a andar pelas ruas e percebia que nenhum carro vinha. Aliás, não havia nenhum carro nas ruas, nem nas casas. Em um ponto do caminho começou a perceber que já não haviam casas, e muito menos pessoas. Se sentiu perdida, e a cada passo que dava, mais coisas pareciam não fazer parte da paisagem. Até um ponto em que parou, e tudo que viu foi uma tela branca. Estava dentro dela. Já não se via nada em nenhum dos lados e isso a desesperou.
Procurava loucamente por alguém, por algo, por qualquer coisa. Até perceber que em algum lugar se encontrava um espelho. Um espelho do tamanho para cobrir uma parede grande, diga-se de passagem. Se observou no espelho, virou, esticou, abaixou, e por último apenas olhou atentamente. De repente ficou paralisada. No sentido literal da palavra, não conseguia mexer um músculo do corpo, apenas piscava. E em uma dessas piscadelas, Conseguiu ver o rosto de várias pessoas. E elas pareciam lhe observar, e encarar, e comentar entre si. Haviam as que lhe admiravam, e outras que faziam pouco caso, mas as pessoas não paravam de aparecer.
Em um comodo branco, grande, mais pessoas entravam, e observavam a exposição que se seguia. Cada foto um olhar, cada foto uma pessoa, cada foto uma sensação. E a que mais chamava a atenção no local era de um olhar perdido, assustado, envergonhado, a mais preciosa foto da coleção. A foto de uma menina, que parecia não entender o que se seguia no local.

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