25 dezembro 2012

Não é a primeira e nem será a última vez em que resolvo escrever sobre água. Afinal, a água me fascina, de uma certa forma até mais que o ar.
Mergulhada em uma piscina sinto a diferença de atrito com a minha pele entre o ar e a água. Ela forma uma capa de forma com que eu não me movimente normalmente. É de fato fácil sentir a água, mas em algum ponto, meu corpo se acostuma e de alguma maneira me parece que ela não está lá. Essa sensação de algo não fazer sentido me toma frenquentemente, e me pego escrevendo sobre coisas que talvez não façam sentido para a maior parte da humanidade. Ou então quem sabe eu esteja sendo arrogante de me achar uma exceção, mas de fato não me sinto incluída na grande maioria.
Sempre tive medo do escuro, desde pequena. Não gosto de me encontrar na escuridão, pois não enxergo o que existe além dela. Mas ontem, um alguém me disse algo que de forma me fez mudar essa concepção da definição de escuro como terror: nós temos medo do escuro porque não enxergamos o que há nele, mas de uma certa forma ele é um escudo, pois também não podem nos enxergar. Isso me traz conforto. Mas é verdade quando se diz que temos medo do que não podemos ver, e isso se resume a tudo. Exatamente tudo. Tenho medo de não saber o que pode vir a seguir, mas na realidade não sem mesmo o que vem a seguir.
Descobri de fato que não sei muito bem o que me move. Cheguei a conclusão de que desisto e largo as coisas com facilidade, pois nada me prende de fato. O desapego sempre se mostrou um grande amigo e um abrigo, mas existem coisas em que é bom ter apego. Acredito ter apego naquilo que se torna importante de fato para mim, mas não se pode ter apego a algo que não se tem certeza. O futuro é algo que não sei bem. Não sei bem a que ponto quero chegar, a que lugar, a que objetivo. Penso em ao menos descansar e não precisar fazer nada, mas isso se torna uma espécie de tédio e limbo onde me prenderia com tais pensamentos e nenhuma ação. Isso se torna vergonhoso.
Não sei como finalizar esse pensamento confuso, talvez com água. Ou talvez com cama. Ou talvez com o som dos pensamentos que fazem festa a todo momento na minha mente...

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