É uma sensação estranha de fato, não se sentir.
A água parecia não fazer mais efeito nenhum sobre seu corpo, o peso que fazia não mais existia. Talvez estivesse caminhando na lua, e na verdade a ideia de ter seu corpo mergulhado em algo era simplesmente o fato de estar mergulhada apenas no vácuo. Isso explicava não tocar o chão com os pés. Aliás, onde estava o chão? Havia se distraído em pensamentos como de fato acontecia, mas nesse momento não encontrava nem o chão que lhe apoiava.
Tentou voltar a superfície, mas essa também não existia, e por mais que seus braços e pernas trabalhassem, simplesmente não saíam do lugar. O ar já lhe faltava. O desespero a tomou. Abriu os olhos mas não enxergava, estava mergulhada na escuridão. O que mais poderia fazer? Deixou-se levar por toda a água que lhe abraçava.
O tempo passava, já não possuía oxigênio em seus pulmões, mas isso parecia não lhe incomodar. Aliás, nada que lhe proporcionara desespero certo tempo atrás parecia lhe assombrar. Não sentia mais medo, pois já havia se esquecido do chão, da superfície, da luz. Acostumara-se com tudo que não possuía, com tudo que não existia, e se encontrava em paz mergulhada no que de fato era o nada.
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