Ela foi embora, não podia mais morar com ele. Não aguentava passar as noites sozinha enquanto o mesmo tinha a companhia da bebida em um bar qualquer. Partiu sem olhar para trás. Ele ficou desolado.
Poemas mal escritos e declarações infantis chegavam a sua porta. Ele mandava todos os dias. Ela não respondia. Ele deixou a barba crescer, parou de beber, mas agora tinha dois novos vícios: fumar e escrever. Só escrevia para ela, aperfeiçoando-se cada vez mais.
Ela marcava alguns encontros, mas nenhum que tivesse realmente gostado. Todos os homens pareciam limpos demais, contidos demais, educados demais. Descobriu que preferia os sujos, os rudes, os ébrios. Preferia-o a qualquer outro.
Maços de cigarro acabavam como água, mas a procura por palavras belas para trazê-la de volta continuava. Não comia, não dormia. Ouviu um barulho na cozinha, e pela primeira vez em semanas saiu do quarto. Adentrou no local e a viu sentada, tomando um copo de uísque. Ela nunca gostou de uísque, ele nunca gostou de romance.
- Eu te amo. - ele disse dando de ombros.
Ela virou o copo e em seguida caminhou tranquilamente, passando por ele e entrando no quarto. Ele foi logo em seguida.
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