11 maio 2013

Já não conseguíamos mais lembrar o porquê de estarmos ali. O navio era arremessado de um lado ao outro pelas violentas ondas daquele mar negro. A noite era fria e tínhamos pouca iluminação, a comida estava no fim, e o cheiro de algo podre infestava o ar, se mesclando com aquele suor fétido dos outros tripulantes. Vinte homens sem saber o que fazer, o que não poderia de maneira alguma acalmar a única mulher que embarcara numa aventura sem medir as consequências.
Há quantos dias o navio zarpara? Já não tinha mais noção do tempo, encontrava-me faminta e enjoada, a ponto de vomitar. Meu estômago já não aguentava mais a tudo aquilo, era como se matar aos poucos, da maneira mais dolorosa possível. Sentia o medo invadindo meu ser - na verdade, todos os medos possíveis. O de não voltar, o de ser descoberta, o de apodrecer bem ali, enquanto minha carne era devorada pelos abutres, ou até mesmo pelos outros tripulantes. Nunca tive medo da morte, mas talvez seja porque nunca de fato tinha estado tão perto da mesma. A cada dia que passava, sentia-lhe mais próxima, o que aumentava o número de calafrios depositado em mim.
No céu não haviam estrelas, apenas nuvens negras carregadas de uma tempestade. Apesar de não demonstrar, ninguém tinha mais esperança alguma, o que me preocupava cada vez mais. Continuávamos ali, tentando inutilmente sair daquela situação. Meu corpo já não resistia, e a cada onda, era jogada a dez metros de onde eu me encontrava. Minhas pernas já não aguentavam, meus braços já não tinham força, meus olhos já não se abriam. Senti o chão longe dos meus pés, e de repente se fez o silêncio. Tudo ficou escuro.

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